Estudantes da Ufac aprovam greve após crise no transporte coletivo de Rio Branco
10/07/2026
(Foto: Reprodução) Estudantes participam de reunião do DCE da Ufac durante a mobilização pela greve estudantil, nessa quinta-feira (9), em Rio Branco
João Paiva/Jornalismo da UFAC
A crise no transporte coletivo de Rio Branco, agravada pela redução da frota de ônibus em circulação, levou estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) a aprovarem uma greve estudantil por tempo indeterminado.
A paralisação foi decidida durante uma assembleia na noite dessa quinta-feira (9), organizada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE), que atribui ao problema no transporte os prejuízos enfrentados por alunos para chegar às aulas.
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Ao g1, o presidente do DCE, Rubisclei de Abreu, a greve não tem prazo para terminar e será mantida até que as reivindicações relacionadas ao transporte público sejam atendidas.
"Ninguém começa uma greve esperando que dure eternamente. O que queremos é que nossas reivindicações sejam atendidas. A decisão de iniciar a greve na Ufac ocorre justamente para que os estudantes não continuem sendo prejudicados pelo caos no transporte público", afirmou.
Passageiros ainda enfrentam demora após apreensão de ônibus em Rio Branco
Ainda conforme o representante estudantil, um calendário de mobilizações foi definido logo após a assembleia.
''Os estudantes já iniciaram a confecção de materiais para os atos, e o cronograma das manifestações deve ser divulgado pelo DCE'', completou.
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A greve ocorre pouco mais de uma semana após a própria Ufac suspender as atividades presenciais devido aos impactos da redução da oferta de ônibus na capital.
Inicialmente, as aulas dos cursos de graduação foram interrompidas nos dias 1º e 2 de julho, mas universidade manteve a suspensão até o último sábado (4), alegando dificuldades de deslocamento da comunidade acadêmica.
Na ocasião, a Pró-Reitoria de Graduação (Prograd) informou que a medida foi adotada para evitar prejuízos aos estudantes, professores e técnicos que dependem do transporte coletivo para acessar o campus.
Estudantes participam de reunião do DCE da Ufac durante a mobilização pela greve estudantil, nessa quinta-feira (9), em Rio Branco
João Paiva/Jornalismo da UFAC
🚌 Crise no transporte
Os problemas enfrentados pelos estudantes fazem parte da crise no sistema de transporte coletivo de Rio Branco, que se intensificou desde o fim de junho.
Em 30 de junho, a Justiça do Acre cumpriu uma carta precatória expedida pela Justiça do Distrito Federal e apreendeu parte da frota da empresa Ricco Transportes e Turismo. A decisão judicial determinou a retomada de posse de 50 ônibus devido a uma dívida de quase R$ 3 milhões da empresa.
Para evitar um colapso ainda maior no sistema, a Vara de Cartas Precatórias autorizou inicialmente a apreensão de 38 veículos, já que a empresa também possui débitos trabalhistas e os funcionários estavam em aviso prévio.
Com a retirada dos ônibus de circulação, o transporte coletivo passou a operar com frota reduzida. Passageiros enfrentaram longas filas, coletivos lotados e aumento no tempo de espera.
Passageiros enfrentaram lotação no Terminal Urbano de Rio Branco após apreensão de ônibus da Ricco no dia 30 de junho
Hugo Costa / Rede Amazônica
Para tentar normalizar o serviço, a Prefeitura de Rio Branco assinou um contrato emergencial de um ano com a JTP Transportes, empresa que assumirá gradualmente a operação do transporte coletivo. A transição deve ocorrer em até 90 dias, período em que a Ricco continuará operando parte das linhas para evitar a interrupção do serviço.
De acordo com a prefeitura, a nova operação contará com uma frota de 120 ônibus, sendo 60 veículos zero quilômetro previstos para chegar até o início de setembro.
Além disso, a autorização para o funcionamento dos táxis-lotação continuará válida apenas nas regiões onde ainda não houver cobertura do transporte coletivo durante a transição.
VÍDEOS: g1